Promoção para o sucesso

Projeto Promoção para o Sucesso

Objetivos

Adopta-se como objectivo geral do Projecto “Promoção para o Sucesso”, a implementação e consolidação de práticas inovadoras, construtoras de espaços de formação integral para os alunos e ainda permitir a unidade e coerência das práticas curriculares das várias instituições escolares pertencentes ao Agrupamento, em que terá lugar a intervenção diferenciada, garantindo a interacção das actividades lectivas e não lectivas. Pretende-se que o processo de aprendizagem, dinâmico e activo, evolua no sentido dos interesses e necessidades dos discentes, permitindo assim a sua plena integração/inclusão na escola e na sociedade.

 

O Projecto “Promoção para o Sucesso” apresentou como objectivos específicos:

  • Detectar casos de alunos com Dificuldades Específicas de Aprendizagem;
  • Efectuar a avaliação e despiste de défices que comprometam o desenvolvimento global dos alunos sinalizados;
  • Organizar a intervenção psicopedagógica diferenciada e individualizada;
  • Proceder à reeducação dos alunos (após cuidada avaliação e análise das respectivas áreas fracas e emergentes), a fim de adquirirem competências e aptidões nas áreas em que revelem discrepância;
  • Aplicar com os alunos estratégias pedagógicas específicas tendentes à adequada realização das tarefas académicas básicas;
  • Desenvolver nos alunos competências de estudo;
  • Fomentar o espírito crítico (auto e hetero-avaliação);
  • Dinamizar espaços de actividade que fomentem a abordagem multissensorial de competências específicas facilitadoras das aprendizagens escolares (ex: clubes de dança, ateliers de expressão plástica, grupos de expressão dramática, grupos de leitura e escrita criativa, clube de cinema de animação, clube de descoberta e ciência, clube da matemática divertida, etc.);
  • Consciencializar pais, professores e comunidade educativa para as dificuldades de aprendizagem dos alunos (sem serem situações de deficiência);
  • Motivar Agentes da Educação à aplicação de estratégias de intervenção inovadoras, motivantes e diversificadas;
  • Participar na promoção e organização da rede escolar das freguesias, tendo em atenção os ciclos de ensinos e a necessidade duma política educativa local integrada;
  • Avaliar a intervenção e o processo efectuado;
  • Criar formas de sistematização da avaliação dos resultados e do projecto.

É indispensável que se realize: (1) a identificação das necessidades educativas especiais, isto é, dos obstáculos a vencer para que os alunos acedam às aprendizagens; (2) se definam os recursos a disponibilizar e o programa educativo (intervenção) a levar a efeito, bem como as medidas especiais a implementar em cada caso.

No decorrer do Projecto as escolas/agrupamentos encontrarão formas de desenvolver um trabalho de sensibilização e participação dos docentes nas acções de sensibilização e ou formação levadas a cabo para que se alcancem com sucesso evidente os objectivos a que inicialmente se propôs.

 

Para tal tem que se investir com determinação na sensibilização e formação dos docentes do Agrupamento, contemplando nos horários dos professores e dos alunos o espaço/tempo destinado às sessões de Intervenção Pedagógica Diferenciada e procurando-se enriquecer ainda os dossiers com a disponibilização de novos materiais específicos para trabalhar as diferentes áreas. Por implicar a realização de distintas fases: Avaliação Compreensiva/Diagnóstica individual, elaboração do Perfil do Aluno, construção do Programa Reeducativo e Intervenção Pedagógica Diferenciada, pelo menos duas vezes por semana, este é pois um Projecto que requer muito tempo, dedicação e disponibilidade dos docentes intervenientes.

 

Aposta-se numa Escola onde não se valorizem apenas os saberes curriculares, mas também as potencialidades de cada aluno, a sua formação integral, visando assim, o desenvolvimento de uma personalidade equilibrada, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários, tal como preconiza a Lei de Bases do Sistema Educativo.

Numa verdadeira Escola Inclusiva devemos atender ao ser humano na sua totalidade, sem omitir nenhuma das suas partes e os agentes de ensino não podem continuar a orientar-se por um “daltonismo pedagógico” centrando a sua atenção na transmissão única de conteúdos programáticos.

Contudo, é de referir que a escola actual mantém ainda características inibidoras próprias da escola tradicional, pois ao pretender ser uma escola para todos, não consegue, muitas vezes, ultrapassar a imposição curricular única, nem o professor consegue respeitar a individualidade de cada aluno, inibindo desta forma, pela pressão externa do curriculum e da sua acção, a manifestação da energia proveniente da interioridade pessoal de cada aluno. O aluno ao ser incapaz de acompanhar o processo de aprendizagem imposto reage de distintas formas, quer pela apatia relativamente à aprendizagem, quer pela indisciplina comportamental ou ainda pela agressividade em relação ao professor e aos colegas.

Estes são os motivos que levam a equipa de investigação a apresentar este Projecto.

Metodologias adotadas

Abordámos na revisão da literatura os principais conceitos e abordagens que no âmbito da temática em estudo, fundamentam as actuações nas escolas.

A segunda parte deste trabalho assenta na constatação empírica de que aos nossos estabelecimentos de ensino chega um grupo muito heterogéneo de alunos com especificidades diversas:

 

  • Alunos sem dificuldades (a maioria);
  • Alunos com deficiências visuais, auditivas, motoras, mentais, ou multideficiência;
  • Alunos com capacidades ou talentos superiores;
  • Alunos com distúrbios emocionais;
  • Alunos com atrasos escolares por privação cultural;
  • Alunos com dificuldades específicas de aprendizagem.

 

É, portanto, sobre estes últimos alunos que irá incidir o nosso estudo, uma vez que apresentam um adequado nível intelectual, não revelam qualquer deficiência sensorial, nem outros factores como distúrbios de comportamento, absentismo, ou outros, mas evidenciam uma particularidade que, segundo Kirk & Gallagher, lhes é comum: uma evidente discrepância entre as suas capacidades e o seu efectivo desempenho que resulta num grande insucesso nas realizações académicas básicas, sobretudo ao nível da leitura, da escrita e do cálculo.

Como ficou descrito atrás, vários foram os estudos e investigações realizadas por diversos autores sobre esta problemática, advindo daí conceitos diversos que se complementam.

Os alunos com D.E.A. representam uma percentagem significativa relativamente à totalidade dos alunos. Por esse facto, as D.E.A. constituem um grande desafio educacional, sobretudo porque a maior parte dos docentes não possui formação e/ou informação que permita despistar e intervir de forma adequada, no sentido da resposta a este tipo de problemas. Como consequência, verifica-se a existência de uma grande percentagem de alunos com insucesso escolar, o qual na maioria resulta das Dificuldades Específicas de Aprendizagem.

 

 

Se for realizada uma avaliação compreensiva aos alunos que manifestam D.E.A. haverá fundamentação real para a adequada intervenção pedagógica diferenciada.

Se houver intervenção pedagógica diferenciada, as dificuldades na aprendizagem sentidas pelos alunos com D.E.A. serão em certa medida ultrapassadas, com reflexo nos resultados escolares.

       

Para levarmos a efeito a nossa intervenção procederemos à realização da avaliação compreensiva aos alunos das diferentes turmas que manifestam dificuldades na leitura – escrita e/ou aritmética, devidas geralmente a atrasos de desenvolvimento nos domínios perceptivo, psicomotor, e psicolinguístico a que se associam, em regra, problemas de atenção e memória e de natureza emocional com reflexo na aprendizagem escolar.

 

No sentido da coesão irá proceder-se à correlação/integração destas metas noutros documentos existentes nas escolas como:

  • O Projecto Educativo (P.E.) do Agrupamento de Escolas e Jardins-de-infância
  • Os Projectos Curriculares de Escola (P.C.E.);
  • E, os Projectos Curriculares de Turma (P.C.T.).

            Atender-se-á, também, ao previsto em:

. Actas do Conselho de Turma (A.C.T.)

A necessidade de consideração destas últimas emerge no sentido de compreender qual a forma de tratamento das situações relatadas como aparentes ou efectivas, de crianças com Dificuldades Específicas de Aprendizagem (D.E.A.), bem como, para um primeiro levantamento das referidas situações, em número e tipologia.

 

Depois deste trabalho, proceder-se-á:

  • Ao levantamento de casos nas turmas que integram alunos com Dificuldades Específicas de Aprendizagem com focalização nessas mesmas crianças;
  • Conversas informais com professores dessas turmas no sentido de recolher dados antes, durante e após avaliação e intervenção;
  • Entrevistas aos pais para recolha de dados sobre anamnese, inicialmente, e o comportamento dos seus filhos antes, durante e depois da intervenção.

 

Após as fases descritas, proceder-se-á à aplicação do Guião de Avaliação Compreensiva da Criança com Dislexia (Helena Serra), que permite a análise das áreas de desenvolvimento ou instrumentais e áreas de realização académica, envolvendo os conceitos de Dislexia, Disortografia, Discalculia e Disgrafia, tal como foram definidos no desenvolvimento teórico prévio a que foi submetida a investigação.

Dos resultados obtidos da aplicação deste guião deverão emergir:

  • Fichas de anamnese;
  • Os Perfis Individuais (P.I.) dos alunos;
  • E Programas Reeducativos Individuais (P.R.I.).

 

Com vista a alcançar as finalidades a que se propõe esta investigação, a escola em colaboração com a equipa de investigação desencadeará um conjunto alargado de iniciativas entre as quais:

  • Sessão de sensibilização sobre a temática das D.E.A. no início do ano dirigidas a todos os docentes;
  • Acção de Formação subordinada ao tema “Alunos com Dificuldades Específicas de Aprendizagem” a desenvolver no ano 2009, na Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, tendo como formadora a docente responsável por este Projecto;
  • Desenvolvimento do Projecto, através de “Intervenção Pedagógica Diferenciada”, a ser orientada pela Professora Doutora Helena Serra no ano lectivo 2009/2010, nas diferentes escolas cooperantes e envolvendo todos os professores que desejem (de entre os que obtiveram formação) comprometer-se com este projecto de intervenção. Antes desta intervenção terão sido avaliados/diagnosticados os alunos com D.E.A. e efectuada uma recolha de estratégias/materiais específicos para a Intervenção Pedagógica Diferenciada a ser enriquecida pelos docentes que participam na formação;
  • Criação da “Equipa/Grupo de Intervenientes Internos” para processo de intervenção;
  • Planificação da intervenção e distribuição de serviço de intervenção para 2009/10;
  • Intervenção (2009/10) a implementar pela equipa de intervenção em colaboração com os professores que mostrarem disponibilidade (conhecimentos, competências, etc.), Grupo de Intervenientes Internos, para a intervenção/implementação dos P.R.I.;
  • Primeira avaliação do processo de intervenção pedagógica diferenciada (Dezembro 2009);
  • Segunda avaliação do processo de intervenção pedagógica diferenciada (Março 2010);
  • Avaliação final dos Projectos de Intervenção Pedagógica Diferenciada (Junho 2010);
  • Avaliação dos resultados do Projecto de Intervenção.
  • Criação de processo de sistematização de avaliação do projecto “Promoção para o sucesso” a consolidar como prática sistemática na escola.

 

Público Alvo

A população alvo deverá emergir das turmas existentes no presente ano lectivo, a frequentar o 1.º, 2.º, 3.º Ciclos (EB), e alunos do ensino secundário (ES) que, nas escolas cooperantes, sejam sinalizados e seleccionados pelos docentes e psicólogos no âmbito desta formação.

 

De entre estes alunos, formarão o grupo de intervencionados, todos os alunos em que forem diagnosticadas Dificuldades Específicas de Aprendizagem (prevê-se, com base no conhecimento científico actual que possam atingir uma percentagem de 10 a 15% do total de alunos).

Impacto Esperado

A nossa expectativa alarga-se às múltiplas vertentes em que, através do conhecimento adquirido e das práticas implementadas, poderá haver impacto:

  • Os docentes directamente implicados no desenvolvimento do projecto adquirem competências e saberes acrescidos que potenciarão em geral a sua actividade docente;
  • Os restantes docentes do agrupamento ficarão sensibilizados para a problemática das D.E.A. e adquirirão alguma formação que lhes enriquecerá o seu desempenho profissional;
  • Os alunos intervencionados passarão da situação de insucesso para a de sucesso com todos os “ganhos” que daí advirão;
  • O projecto de vida desses alunos (agora com sucesso na escola) enriquecer-se-á na medida em que os seus estudos chegaram mais longe, a sua auto-estima melhorou, as relações interpessoais aumentaram em qualidade, as suas expectativas elevaram-se, eventualmente evitou-se a sua “fuga” para a marginalidade e/ou dependência...
  • Os encarregados de educação perante o sucesso do aluno, tornaram-se confiantes, elevaram as expectativas que se projectaram no seu educando multiplicando o seu desejo de sucesso;
  • Os técnicos que de alguma forma venham a relacionar-se com o projecto passam a somar razões para uma intervenção de qualidade e atempada, com casos semelhantes, podendo ficar motivados para futuras parcerias com a escola, facilitando o trabalho em equipa multiprofissional;
  • A escola como organização adquire segurança ao perceber a eficácia das medidas inovadoras que implementa, baseada no facto de passar a proporcionar um ensino de maior qualidade, diminuindo o insucesso e abandono escolares;
  • A eventual possibilidade de realização de outros estudos científicos decorrentes das questões levantadas no âmbito deste projecto;
  • A possível interligação deste projecto com redes alargadas de investigação (europeias ou outras);
  • O eventual impacto sobre a concepção de recursos materiais de avaliação e intervenção (que poderão vir a ser propostos a editoras interessadas);
  • A possibilidade de extensão do Know how adquirido, no desenvolvimento deste projecto, a outras escolas e agrupamentos (quiçá ao país inteiro, por iniciativa do próprio Ministério da Educação);
  • A publicação de artigos científicos (ou de um livro) que relatem a essencialidade que o projecto contém;
  • A sociedade em geral, na medida em que alguns cidadãos (alunos adolescentes) foram “roubados” ao elenco dos “alunos com insucesso e abandono”, passando a engrossar as estatísticas que reflectem a eficácia da escola e a capacidade do país de promover o sucesso na escola e na vida.
Promotores

1 - Instituição proponente:

Departamento de Formação em Educação Especial da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti)

Rua Gil Vicente, nº 138, 4000-255, Porto

2 - Responsável pelo projecto:

1.ª Professora Doutora Helena dos Anjos Serra Diogo Fernandes docente da Escola Superior de Educação Paula Frassinetti;

2.ª Investigadora: Ana Serra Fernandes